Mania de Entender

segunda-feira, 31 de julho de 2006

Conhecimento, dons e divisões

A igreja de Corinto era enriquecida de palavra e conhecimento (cap 1; vs 5) e não lhe faltava nenhum dom espiritual (v.7). No entanto, era uma igreja partidária, onde seus componentes se dividiam em torno de pensamentos divergentes formando, assim, partidos específicos na congregação (v. 10-17). Paulo, então, demonstra que embora antes houvessem diferenças entre os povos, no corpo de Cristo estas diferenças deixam de ser significativas tendo em vista que todos agora fazem parte de um único grupo. Não o grupo que é conhecido por sua sabedoria ou mesmo por seus costumes, mas um grupo que a despeito de todo orgulho é considerado socialmente apenas como um amontoado de loucos. No entanto, ressalta que ao contrário de qualquer aparência, esta “loucura” foi a forma escolhida por Deus para anunciar sua sabedoria aos homens. Portanto, o que discursos eloqüentes não conseguiram fazer ao longo dos tempos, a loucura da cruz executou com perfeição, porque só o poder de Deus pode conscientizar-nos de que todos pertencemos a um único grupo: os que precisam de Deus. Por isso, então, Paulo fala sobre os mistérios de Deus que só serão entendidos por aqueles que têm maturidade, e por isso também o apóstolo interpreta verdades espirituais para aqueles que possuem a mente de Cristo (cap.2).

Fico impressionado com divisões ocorrentes na igreja. Não falo aqui das diferenças doutrinárias que ocasionam na formação de diferentes denominações. Aliás, sobre isto, o que muitos consideram como uma “fraqueza” do protestantismo, eu particularmente considero uma demonstração de um Deus maravilhoso e criativo que gosta de diversidades e que opta por revelar-se não através de uma única denominação ou igreja, mas através de sua multiforme graça (vide Efésios 3.10). As divisões que me impressionam são aquelas que ocorrem principalmente dentro da igreja local. Existem igrejas divididas entre “aqueles que gostam de cânticos” e “aqueles que gostam do cantor cristão”; outras se dividem entre aqueles que estão na mesma visão de trabalho de seu pastor e aqueles que torcem contra, entre aqueles que visitam e aqueles que querem que os outros visitem em seu lugar, entre “avivados” e “tradicionais” e até entre aqueles que estão na “Visão” e aqueles que não estão (que o Senhor tenha misericórdia !!!).
Acho muito importante o destaque que Paulo nos dá a respeito da crucificação. A cruz de Cristo dividiu o mundo em dois grupos distintos: aqueles que crêem no seu sacrifício remidor e se posicionam de forma comprometida ao seu lado e aqueles que simplesmente consideram tudo isto loucura. Esta percepção é algo que deve fazer parte de nossa vida cristã constantemente, pois, se fomos salvos em Cristo, nossas diferenças não nos tornam superiores a ninguém, antes apontam para o poder de Deus que é capaz de nos unir apesar de nossas particularidades. Fazemos parte de um mesmo grupo de loucos. Daqueles loucos aos quais Deus decidiu usar. Daqueles loucos que confundem exatamente porque não são dignos de tamanha manifestação de misericóridia, graça e poder. E se você faz parte deste grupo de loucos que têm alvoroçado o mundo com a mensagem da cruz, esqueça a loucura de seus irmãos e perceba que todos fazemos parte de um único grupo: Os que precisam intensamente de Deus.

Que Deus nos abençoe e tenha misericórdia de nós!!!

2 comentários:

Zanza disse...
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Zanza disse...

Rodrigo,
Eis uma bela expressão do que temos em comum diante de tantas diferenças e divergências... todos nós precisamos "intensamente de Deus". Às vezes, em meio a comunidades religiosas onde há tantos que parecem tão perdidos, não só no caminho, mas em relação a motivação a caminhar, estes mesmos embora perdidos gritam aos 4 ventos que eles detêm a resposta certa, o caminho certo e até mesmo ousam palpitar sobre o alvo (o alvo que nos é proposto já está colocado e não há porque palpitar), em meio a tudo isso, entram pelas portas mais e mais perdidos ansiando que os que estão dentro lhes revele a resposta... enfim... tudo isso cansa, desanima, nos faz desejar pendurar as chuteiras ou até mesmo nem iniciar a partida. Por que tantas diferenças, insistências, posturas rancorosas, caluniadoras,...???
Confesso que passei por instantes em que me perdi também. Mas as respostas, os caminhos, as motivações estão tão pertinho de nós. Você trouxe um pouco mais de luz às minhas indagações e consequentemente, pensar assim me dá um pouco mais de fôlego para a jornada...
Não estamos, como igreja evangélica do século XXI, supostamente perdidos (mesmo salvos), somos simplesmente "intensamente necessitados de Deus".
Ufa!!! Finalmente algo em comum!