Mania de Entender

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terça-feira, 11 de novembro de 2014

EMANCIPAÇÃO E LIBERTAÇÃO

Quando a igreja "acordou" para as injustiças sociais, ela focou na emancipação. Daí surgiram, por exemplo, cursos para profissionalização dos que não tiveram oportunidades. Estes porém, tendo sido municiados de conhecimento, cresceram e criaram seus próprios negócios contratando e explorando a mão-de-obra menos qualificada, com baixos salários e horas extras não pagas.

Com algumas exceções a igreja forneceu EMANCIPAÇÃO sem ser agente de LIBERTAÇÃO.

Emancipação sem Libertação resulta na manutenção da opressão.

Compartilhando...

"Infelizmente a juventude das igrejas tem se empenhado em promover entretenimento aos sábados ao invés de promover conscientização da necessidade do envolvimento desta força de juventude contra as injustiças sociais nas mais diversas áreas da sociedade" 

Maurício Cunha - Fórum da Conferência Missão na Íntegra
"Alguém já disse que se houvesse perseguição no Brasil a igreja seria melhor, eu prefiro dizer que se a igreja brasileira fosse melhor, haveria perseguição"

Marcelo Gualberto, Conferência Missão na Íntegra

PAI MEU?

"Quando Jesus nos ensinou a orar, ele mostrou os pronomes: Teu, Vosso, Nós, Nosso. Já as nossas orações são MEU, MINHA, EU... Eu não sei com quem a igreja aprendeu a orar" - Ricardo Barbosa - Conferência Missão na Íntegra

VOCÊ AMA A DEUS?

"O temor do Eterno significa odiar o mal - eu odeio o mal com todas as forças, o orgulho, a arrogância e a conversa venenosa." - Provérbios 8:13
Temer a Deus é odiar o mal e neste particular é permitido ter ódio. Não o ódio pelas pessoas, mas pelos atos maldosos, pelas injustiças e pelos comportamentos perversos que estão presentes na nossa própria vida e na sociedade em que vivemos.
Quem teme a Deus odeia o mal com todas as forças. Força é algo que é percebido quando há uma aplicação (os físicos que o digam). Quem teme a Deus age contra o mal. Quem teme a Deus minimiza a dor dos que sofrem, dá palavras de ânimo aos abatidos e encoraja os desanimados. Quem teme a Deus compartilha recursos, investe em pessoas e em organizações que multiplicam o bem. Quem teme a Deus vigia o próprio orgulho que nos faz, mesmo que em pensamento, criticar os outros e exaltar nossas qualidades. Quem teme a Deus vigia a própria língua e o veneno de muitas conversas.
Você teme a Deus?

Na última semana tive o privilégio de participar da conferência MISSÃO NA ÍNTEGRA, aqui no Rio de Janeiro. Um dos temas tratava da relação "Evangelho X Solidão" muito bem exposto pelo amigo Pr Ariovaldo Ramos. No entanto, todo o que ouve preciosos ensinamentos tem uma dívida com a reflexão. Tentando assim, amenizar minha dívida ativa, registro aqui uma pequena conclusão a que cheguei sobre a profunda mensagem que ouvi a fim de fazê-lo também um devedor da reflexão.

Quando penso no "Amar ao próximo como a mim mesmo" sempre penso em mim como o ponto de partida, como aquele que deve amar. Mas quando inverto a ordem e me coloco como o próximo, entendo que as pessoas me amarão como a si mesmas quando verem em mim o próximo que revela o amor de Deus a elas em seus sofrimentos.

Transcendência Infrutífera

As teologias das Torres de marfim não concebem a possibilidade de ver seus pés empoeirados e lameados pelas vias sujas por onde caminham os mortais.

sábado, 29 de junho de 2013

Conheça mais sobre o que é e para que serve o dízimo!


Algumas discussões do mundo moderno são pré-históricas. O tempo passa, o tempo voa (como dizia a antiga propaganda de um banco) e o repetitivo assunto persiste no dia a dia dos inconformados e muitas vezes mal informados. Uma destas discussões sazonais que encontro é aquela que diz respeito aos dízimos entregues pelos fiéis em suas igrejas.
O assunto, que é recorrente no meio social mediante à multiplicação do povo evangélico em nosso país, é tratado de forma crítica, pejorativa e por vezes jocosa por parte daqueles que dele não fazem parte. E foi pensando sobre isso que resolvi trazer alguma luz ao assunto tendo em vista que muitos tem dificuldades em entendê-lo.

Primeiramente preciso dizer que nenhum pastor, padre ou líder criou a prática da contribuição através do dízimo e que ela não foi originalmente restrita ao papel-moeda. Na verdade ela precede a existência do dinheiro, da moeda e até das igrejas institucionalizadas como nós conhecemos. A Bíblia possui textos bem claros que ressaltam a origem deste ato através de ordens divinas ao seu povo (ressalto: ao seu povo). Tanto o Antigo Testamento quanto o Novo Testamento falam a respeito do dízimo. Sim, estou falando em Deus, estou falando em Bíblia e estou falando em Povo de Deus. O que isso significa? Significa que é um ato ligado à fé. É questão de foro íntimo. É questão voluntária. Portanto, se você não tem fé ou não pertence ao Cristianismo, você precisará ao menos de uma dose de tolerância e respeito para entender que aqueles que crêem o fazem com voluntariedade e sinceridade de coração.

Ainda falando sobre a origem da prática, cabe ressaltar que é algo de cunho santo no sentido hebraico da palavra: separado. É algo que se faz diferentemente se uma simples doação. Você pode doar uma grande soma de dinheiro em uma igreja e não estar dizimando. Dízimo é um ato de gratidão, reconhecimento e obediência ao Deus que nos dá saúde, força, vigor e vida para trabalhar e ter o sustento. Os meus talentos e contatos, a minha formação e o mercado de trabalho podem me dar oportunidades, mas nada disso pode me dar mais um dia de vida. Nenhuma destas coisas pode garantir que ao sair de casa para trabalhar de manhã cedo eu voltarei são e salvo a noite para a minha casa para o meu descanso. A vida é dada por Deus. Na bíblia, Deus poderia como dono da vida me exigir 100% do seu investimento na minha existência diária, mas ele nos propõe o dízimo como uma oportunidade de demonstrar que eu o reconheço e que sou grato por isso. Quero reforçar aqui que é questão de fé. Certa vez Jesus criticou o dízimo que é dado por alguém que contribui, mas que não possui atos que demonstre o amor de Deus ao próximo. Isso foi uma demonstração clara de que o que vale não é apenas uma contribuição, mas um ato que é parte de um todo.

Outro aspecto que desejo enfatizar é a voluntariedade do ato. O fiel entrega seu dízimo com uma prática que faz parte de sua fé. Ele não é forçado, ninguém põe uma arma em sua cabeça ou seqüestra alguém de sua família para isso. É claro que eu questiono à luz da Bíblia algumas práticas hodiernas tão comuns de se encontrar, mas eu quero me ater aqui àquilo que é feito dentro de uma serenidade e honestidade típica daqueles que conduzem com humildade o rebanho de Deus. Sim, dízimo é bíblico, é um ato de fé e é voluntário. Assim sendo eu fico impressionado com a indignação de muitos. É comum a ridicularização do fiel dizendo que ele entrega dinheiro pra igreja e muitos vão além dizendo que ele dá dinheiro para o pastor que o rouba, etc. Ora, o que me deixa curioso é que eu não vejo a mesma indignação voltada para aqueles que dão muito mais do que o percentual de um dízimo à indústria do cigarro, da pornografia, do entretenimento, da jogatina ou mesmo das drogas. Eu não vejo a mesma jocosidade para aqueles que mensalmente, semanalmente ou até diariamente entregam seu “dízimo” a indústria da bebida, ingerindo algo que sabem ser prejudicial ao seu próprio organismo. Assim, nos tempos em que preconceito, intolerância e fobia são termos tão utilizados, percebo os tolerantes fazendo uso dos comportamentos que condenam ao se referirem aos dizimistas e suas igrejas.

Por último quero destacar a utilização do dízimo. É muito claro que Deus não precisa de dinheiro. Seu intuito ao estabelecer o dízimo está em perceber a voluntariedade da gratidão humana mediante a doação de algo ao qual ela é tão apegada e que a faz, em muitos casos, destruir a vida em prol da lucratividade e da riqueza. Mas uma vez entregue, o dízimo é algo de valor que não deve ser desperdiçado por aqueles que o administram. Assim, quero começar este último tópico colocando o “dedo na ferida”: o salário do pastor. O Pastor é alguém que dedica sua vida na condução do rebanho de Deus. Ele estuda, ou pelo menos deveria estudar, para expor o texto bíblico. Pra quem não sabe é grande o número de pastores com mestrados, doutorados, phds e formação não só em teologia mas também em outras graduações. Olhando pelo aspecto da formação, é algo dispendioso e cansativo que todo estudante graduado conhece bem. E embora o pastor possa exercer uma profissão, o intuito maior dos seus estudos é auxiliar as pessoas em sua caminhada. Pastor é aquele que se empenha para expor o sentido do texto bíblico sem “achismos” (uma pregação séria não sacraliza a opinião do pregador, ela expõe o ensino contido no texto). O pastor garimpa o ensinamento de Deus e o traduz para uma linguagem acessível aos ouvintes. Ele pesquisa Grego, Hebraico, ele se reporta a arqueologia bíblica, antropologia, sociologia, etc para entender o contexto em que tudo foi escrito. Ele se aperfeiçoa para aprender a comunicar com eficiência - e você que já tentou falar em público sabe que isso não é algo fácil. Deixe só eu abrir um parêntese aqui: Os cristãos que estão lendo devem estar se perguntando sobre a oração, sobre a atuação do Espírito Santo, sobre  a laicidade do chamado, enfim; isso tudo é real e essencial. Mas entenda o prisma que eu estou focando, ok? (fecha parênteses). E como se não bastasse todo o preparo do pastor, isso é apenas uma pequena fatia do que ele faz. O Pastor aconselha pessoas que buscam ajuda, ele visita enfermos em hospitais e em seus lares, realiza casamentos, enterros, batismos, ajudam na recuperação de casamentos, na condução de pessoas à tratamentos para se libertarem de destrutivos vícios e quando muitos estão em casa dormindo, ele está muitas vezes ao telefone ajudando pessoas em situações de crise. Veja bem, meu objetivo aqui não é exaltar o labor pastoral, pois é Deus quem o faz, estou falando um pouquinho para aqueles que muitas vezes não tem noção do que realmente é. O Pastor é aquele que gasta a sua vida para que as pessoas recebam vida de Deus. E nesta empreitada, esse homem precisa de um sustento, de recursos, pois ele tem família, ele deve ter salário. Eu sou pastor e digo a você: Na denominação ao qual faço parte, por exemplo, o salário do pastor é fixo, é determinado e votado pelos membros da igreja. O valor consta em planilhas orçamentária, em relatórios e em registros contábeis acessíveis a todo o membro que deseje informações a respeito. Não importa o volume de dízimo da igreja, o salário do pastor é o que foi determinado pela membresia.
            Mas nem só de salário pastoral vive o dízimo. Ele tem muitas funções. Como você acha que é paga a luz utilizada na igreja? E a limpeza da mesma? E a água utilizada? E o conserto de coisas que naturalmente perecem ou precisam de reformas? E a melhoria do ambiente em que as pessoas freqüentam?  Com certeza não é com um “Deus lhe pague”, é com a contribuição que é entregue. Mas também não é só isso, como pastor, já vi o dízimo auxiliar famílias assoladas pelo desemprego terem o que comer ou terem o aluguel pago naquele fatídico mês para não serem despejadas. Já vi pessoas desesperadas conseguirem comprar o tão necessário remédio que o governo não deu. Já vi tratamentos psicológicos pagos para pessoas que precisavam com urgência, já vi inúmeras vezes as doações se transformarem em itens emergenciais a serem enviados para casos de calamidades públicas, para orfanatos, para casas de recuperação, para o envio de missionários que representam suas igrejas na dignificação do ser humano em países de condições sub-humanas. Já vi o dízimo virar projetos: Escolas, hospitais, creches, aulas de reforço-escolar, espaços esportivos para pessoas carentes, cursos de culinária e artesanato para gerar fontes de renda. Já vi o dízimo virar poço no Nordeste e filtros para dar água potável a povos na China. Já vi dízimo virar vacina em comunidades ribeirinhas e livros para alfabetização de crianças e adultos. Enfim, já vi o dízimo ser instrumento de bênção para muito mais casos do que eu aqui poderia escrever.

Diante de tudo isso, encerro aqui a minha fala, mas nem de longe a gama de atividades em que os dízimos são aplicados. Ressalto que não vim defender o dízimo, ele não precisa de defesa. É ensino de Deus para o seu povo.  Vim aqui apenas dizer que aquele que dizima deve ser respeitado em sua fé como qualquer outra pessoa.

Um grande abraço e que Deus te abençoe!

Rodrigo Gonçalves, pr.




quarta-feira, 20 de março de 2013

Quem sou eu em minha igreja?

     Quando se trata de Cristianismo, em nossos dias, existe uma infinidades de igrejas, denominações, ramificações cristãs, etc. Neste post em particular, quero pensar um pouco sobre as "repartições de santidade" que muitos fiéis (incentivados por suas lideranças ou não) criam em suas mentes. 
     É muito comum as pessoas que mantêm uma vida ocupada com as "coisas do mundo" se sentirem em um patamar inferior diante daqueles que dirigem a igreja, pregam, cantam, lideram ministérios ou simplesmente exercem algum tipo de cargo. Então, para entendermos melhor vamos dar nomes a estes dois grupos: aos primeiros chamaremos clero e a estes últimos chamaremos leigos, ok?
     Ao contrário do que muitos dizem, lá no início, Cristo não colocou Pedro e nem um discípulo em uma hierarquia superior aos demais. Basta uma leitura cuidadosa do evangelho para perceber que todos os discípulos estavam no mesmo barco de homens pecadores e falhos que dependiam da Graça do Cristo e que sem ele nada poderiam fazer. No entanto, no primeiro século a palavra "leigo" começou a ser usada em Roma para descrever cristãos de segunda classe, despreparados e não-equipados enquanto o termo "clero" fora utilizado para designar os sacerdotes e líderes cristãos entre o povo. Assim se fortalecia a divisão, a departamentalização espiritual que incutiu na mentalidade das pessoas (até hoje) a inverdade de que os líderes possuem divinas habilidades que inspiram santidade e geram a tão popular hierarquia espiritual.
   Mas o fato é que a Bíblia não endossa esta divisão. Ironicamente, a Bíblia revela que o povo de Deus é um povo sem leigos onde todos são clérigos no real sentido da palavra (indicados ou dotados). Sim, para Deus você tem o mesmo valor que qualquer outro membro de sua igreja. A igreja, segundo a Bíblia, não "tem" um ministro, mas ela própria é o ministério onde o Espírito Santo atua regenerando, santificando, distribuindo dons conforme seu querer, comissionando e usando na sinalização da vontade do Pai para todo o mundo. A igreja enquanto instituição é o local de reunião onde os dons são usados em favor do outro e onde se aprende a usar os dons individuais para o benefício do Ser Humano. Assim, quem tem o dom de pastorear, pastoreia. Quem tem o de ensinar, ensina; o de contribuir, contribui; o de ser hospitaleiro, recepciona; o de administração, administra; etc. Na Bíblia entendemos que se o pastor é importante em sua função, o lixeiro, o médico, o advogado, o político, o dentista, o motorista, o caixa do supermercado, o professor e tantos outros são tão importantes e usados por Deus quanto. Em suma, vamos parar com este negócios de visualizar santos superiores. Somos todos pecadores que uma vez submetidos a Cristo, somos santificados a cada dia para resplandecer em qualquer lugar deste mundo a luz daquele que nos ilumina.

Abração pra você!





quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Conhecendo os livros de 1 & 2 Reis


Em meio a idas e vindas ao hospital, em meio a preparação para a festa de um aninho do filhote, enfim terminei, após três meses, a leitura pausada dos livros de  1 e 2 Reis na Bíblia Sagrada.


Para comemorar esta vitória e para inspirar aqueles que seguem pelo caminho, vou deixar aqui  a excelente introdução aos livros registrada na Bíblia "A MENSAGEM" de Eugene Peterson.

Que Deus abençoe a todos os que o buscam!!




1 & 2 Reis


     A soberania de Deus é um dos aspectos mais difíceis de pôr em prática no cotidiano das pessoas de fé. Mas não temos escolha: Deus é soberano. Ele reina, não só sobre nossos afazeres particulares, mas também nos prédios empresariais, nas questões políticas, nas fábricas, nas universidades, nos hospitais e até mesmo nos bastidores dos bares e dos concertos de rock. Sem dúvida, essa é uma noção estranha e extravagante. Mas não há outro aspecto nas Escrituras que seja defendido com tanta ênfase e tanta frequência.

        Entretanto, em nossa vida diária não há muita evidência disso. Forças impessoais e egos arrogantes lutam até o fim pelo poder. Na maior parte do tempo, somos jogados de um lado para outro por forças e vontades que não deixam a menor pista da presença de Deus. Mesmo assim, geração após geração, homens e mulheres de bom senso continuam dando testemunho autêntico do governo soberano de Deus. Um dos títulos mais conhecidos de Jesus é Rei.

         Então, como viver uma vida de fé e obediência diante dessa soberania revelada num mundo que, em geral, desconhece ou, pelo menos, despreza isso?
          É elementar que nosso culto seja moldado pela leitura obediente das Escrituras. Assim, iremos submeter nossa imaginação e nossa conduta à realidade da existência de Deus, não ao que nos é oferecido no currículo escolar ou imposto pela mídia. No ato de ouvir em atitude de adoração, os livros dos Reis nos oferecem informação essencial sobre o que devemos esperar do governo soberano de Deus. 
           A história de nossos antepassados, os reis hebreus, começou no livro de Samuel. Essa história deixa claro que não foi idéia de Deus que os hebreus tivessem um rei, mas já que eles insistiram, ele os deixou fazer o que bem entendiam. No entanto, Deus nunca abdicou da sua soberania em favor de qualquer rei hebreu. O rei deveria representar a soberania de Deus, pois eles jamais delegou sua soberania aos reis.
          Mas isso nunca funcionou bem. Depois de quinhentos anos e cerca de quarenta reis, a situação não tinha melhorado muito. Mesmo os mais destacados, como Davi, Ezequias e Josias, não foram tão espetaculares. Os seres humanos, por mais bem-intencionados e talentosos, parecem não conseguir, nem de longe, representar o governo de Deus. Considerados por essa perspectiva, os livros dos Reis, contêm uma exposição constante de fracassos. Representam um vasto material de quinhentos anos e mostram que exigir um rei foi a pior coisa que os hebreus fizeram.
          Mas, com o passar dos séculos, os leitores deste texto perceberam algo mais: em meio às incríveis barbaridades, os reis estavam cumprindo o propósito de Deus. Deus continuou executando seus planos e usando os reis para alcançar seus objetivos Ele não os descartava nem passava por cima deles: ele os usava como instrumentos. eles faziam parte do Reino soberano de Deus, quisessem ou não, reconhecessem ou não. Os propósitos de Deus são cumpridos em confronto e revelação, em juízo e salvação, mas, de algum modo, sempre são cumpridos. O governo de Deus não é imposto no sentido de que ele obriga cada pessoa a uma conformidade absoluta à justiça, à verdade e à retidão. O governo parte de dentro e, na maioria das vezes, passa despercebido, mas sempre está ali, paciente e resolutamente. Os livros dos Reis oferecem um testemunho crucial da soberania de Deus realizada por intermédio de algumas das pessoas mais improváveis e menos dispostas a colaborar que já existiram.
          O benefício de ler estes livros é enorme. Em primeiro lugar, nossa compreensão da soberania de Deus e nossa experiência com ela se desenvolvem contra qualquer suposição baseada em poder e piedade sobre a eficácia do governo divino. Assim, abandonamos os projetos e sonhos utópicos. 
          Depois, começamos a perceber que a soberania de Deus jamais é anulada por líderes ("reis") profundamente falhos tanto no mundo como na igreja. Podemos exultar com o fato de a soberania de Deus estar sendo exercida (embora muitas vezes de maneira sutil e silenciosa) em todos os detalhes circunstanciais do presente.

          De: O profeta (ou grupo de profetas) que escreveram 1 e 2 Reis sabiam como seria cruel o presente. Ele vivia na Babilônia exilado da sua devastada terra natal. Os babilônios invadiram seu país, queimaram suas fazendas e reduziram sua capital a cinzas e escombros. Deu quatro séculos de registros dos tribunais, diários dos profetas e outros documentos recuperados dos destroços, ele juntou a evidência da soberania de Deus durante a tragédia que abalou a nação.

     Para: Expulsos de suas casas em chamas para caminhar quilômetros e quilômetros como prisioneiros de guerra, os judeus que sobreviveram se perguntavam se Deus era mesmo soberano. Parecia que um rei implacável e seu exército haviam derrotado Deus, ou então Deus havia abandonado seu povo. Se Deus estava no comando, como poderia aquela tragédia estar acontecendo?

         Contexto: Por volta de 975-586 a.C. Os livros dos Reis descrevem os ministérios de Elias e Eliseu, profetas do século IX a.C. Nenhum dos dois escreveu as próprias mensagens. Entretanto, 16 profetas dos séculos V e VI a.C. escreveram suas profecias nos livros bíblicos que levam seus nomes (Isaías por meio de Malaquias). Desses 16 profetas, 1 e 2 Reis mencionam Isaías e Jonas brevemente.
          Durante esse período (c. 1100 - 750 a.C.), os gregos pararam de negociar com o Egito e o Oriente Médio e se recolheram a pequenos empreendimentos de pesca e agropecuária. Muitos cidadãos das antigas cidades micenas fugiram, e novos migrantes se estabeleceram. Eles não construíram cidades. Contaram histórias, mas não escreveram nenhuma, e não fizeram nenhum trabalho artístico que tenha sobrevivido. Felizmente para esses gregos, os impérios que contaminavam Israel deixaram a Grécia e, aos poucos, reconstruíram uma cultura urbana.
     

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Conhecendo os livros de 1 & 2 Samuel

Após um mês e meio de leitura pausada, terminei a leitura abençoada dos livros de 1 e 2 Samuel na Bíblia Sagrada.

Para comemorar esta vitória e para inspirar aqueles que seguem pelo caminho, vou deixar aqui  a excelente introdução aos livros registrada na Bíblia "A MENSAGEM" de Eugene Peterson.

Que Deus abençoe a todos os que o buscam!!


1 & 2 Samuel


Quatro personagens dominam os dois volumes de Samuel: Ana, Samuel, Saul e Davi. Do ponto de vista cronológico, os relatos se concentram em torno do ano 1000 a.C., o centro entre o chamado de Abraão, patriarca de Israel, quase mil anos antes (cerca de 1800 a.C.) e o nascimento de Jesus Cristo, mil anos depois.

No momento em que percebemos que nossa experiência egocêntrica é demasiadamente limitada para podermos entender e experimentar o que significa crer em Deus e seguir seus caminhos, essas quatro personagens começam a nos influenciar. É preciso lembrar que essas histórias não são exemplares, no sentido de que as ficamos observando e admirando, como se fossem estátuas em exposição, sabendo que nunca conseguiremos viver de maneira tão gloriosa ou trágica. Pelo contrário, essas histórias são verdadeiras imersões na própria essência da vida: esse é o sentido da vida humana. À medida que lemos e oramos no decorrer dessas páginas, conseguimos captar esse sentido. E, aos poucos, mas, de modo enfático, reconhecemos que o sentido de ser uma mulher ou um homem está diretamente ligado a Deus. Essas quatro histórias não nos ensinam como viver, mas como, de fato, vivemos, validando, assim, a realidade da nossa experiência diária como ingrediente usado por Deus para cumprir seu propósito de salvação em nós e no mundo.

As histórias não alcançam esse objetivo falando a respeito de Deus, pois, surpreendentemente, há pouca referência explícita a ele. Na verdade, há páginas inteiras em que o nome de Deus nem sequer é mencionado. Mas à medida que a narrativa se desenvolve, percebemos que Deus é a presença controladora   e constante, que produz tanto o plano quanto a estrutura de cada sentença. Essa junção de histórias entrelaçadas nos desperta à percepção de nós mesmo, à nossa absoluta e irredutível humanidade, que não se reduz a sentimentos, idéias ou circunstâncias pessoais. Se desejamos uma vida além da mera existência biológica, é necessário interagir com Deus. Não há outra alternativa.

Uma das muitas agradáveis consequências de "entender" nossa vida por meio da vida de Ana, Samuel, Saul e Davi é adquirir sentido de afirmação e liberdade: não precisamos nos enquadrar em esquemas morais, mentais ou religiosos pré-fabricados para sermos admitidos na companhia de Deus. Somos aceitos como somos e recebemos um lugar nessa história que, afinal, é a história dele. Nenhum de nós é a personagem principal da história.

A abordagem bíblica não consiste em nos apresentar um código moral e nos dizer: "Viva desta maneira". Ela    também não apresenta um sistema de doutrina, dizendo: "Pense desta maneira para que você viva bem". A abordagem bíblica consistem em contar uma história e nos convidar: "Viva a trama. É isso que significa ser e amadurecer como ser humano". Violentamos a revelação bíblica quando a "usamos" pelo que ela pode nos oferecer ou pelo que achamos que ela possa incrementar, apimentando nossa vida monótona. A consequência é que transformamos a revelação bíblica numa espécie de "butique de espiritualidade"- Deus como decoração e realce. A narrativa de Samuel não permitirá que isso aconteça. Na leitura, à medida que sujeitamos nossa vida ao que lemos, descobrimos que não somos orientados a ver Deus em nossa história, mas ver nossa história no plano de Deus. Deus é o contexto e o plano maior em que nossa história encontra sentido.

Essa leitura precisa, necessariamente, ser feita em oração - uma leitura pronta a ouvir a Deus e corresponder a ele. Afinal, a história está estruturada em torno da oração: a oração de Davi, perto do final (2 Samuel 22 e 23).

De: Samuel é um livro dividido em dois manuscritos porque havia limitações físicas no comprimento dos pergaminhos. O autor anônimo pode ter sido ligado às comunidades de profetas que se mantinham atentos ao que Deus fazia em cada geração. O autor não procurava encobrir os defeitos de ninguém, nem dos mais ilustres fundadores da nação.

Para: O cidadão comum de Israel era mais estável política e financeiramente no tempo de Ana, Samuel e Saul. Mas o relativo conforto levava as pessoas a serem egoístas e despreocupadas, esquecendo que eram parte da grande história de Deus. Tinham a tendência de criar pedestais para seus heróis. com isso, o povo comum tentava se livrar da responsabilidade de participar da história de Deus.

Contexto: Por volta de 1075-975 a.C. Durante o período de Juízes e 1 Samuel, uma revolução tecnológica atingiu o mundo mediterrâneo: o ferro substituiu o bronze como o novo metal utilizado para armas equipamentos de agricultura. Os filisteus trouxeram a nova tecnologia para Canaã quando a invadiram, e seu duradouro monopólio do ferro frustrou os líderes israelitas. As carruagens de ferro e outros armamentos dos filisteus deram a eles grande vantagem sobre os soldados israelitas.